O APARTHEID AINDA EXISTE
Todas as segundas-feiras
assisto ao programa CQC da Bandeirantes. Excepcionalmente esta semana o
programa foi exibido também na quarta-feira, com um especial África do Sul,
onde foi realizado o sorteio dos grupos das seleções que se enfrentarão na Copa
do Mundo de Futebol, que será realizada neste mesmo país, em 2010.
Estava acostumado com o
programa na segunda-feira e então "passou batido" o programa exibido na
quarta-feira. Fui procurar os vídeos das matérias na internet onde, claro, os
encontrei. Assisti o Top Five, o Danilo em Brasília, e enquanto assistia a uma
matéria em que Felipe Andreoli entrevistava pessoas envolvidas na construção do
estádio onde será a final da Copa e Rafael Cortez entrevistava pessoas que
transitavam com seus carros nas ruas congestionadas, devido às obras de infraestrutura
nos arredores do estádio, me deparo com uma cena nojenta: Rafael Cortez aborda
um “cidadão” (se é que dá para chamar um idiota desses de cidadão) e diz o
seguinte:
-- Vamos trabalhar juntos,
precisamos de você. Estou recrutando bons trabalhadores como você.
O “cidadão” responde:
-- Recrutando bons
trabalhadores?
Rafael Cortez explica
novamente:
-- Nós temos muitos
estádios aqui para construirmos juntos.
Então, num gesto de total
preconceito e relembrando o tempo de segregação racial vivido na África do Sul,
o “cidadão” diz:
-- Mas a cor da minha pele
é a errada.
Vendo esta matéria
lembrei-me da recente série Nova África da TV Brasil onde mostra um continente
lutando para se desenvolver e ao mesmo tempo manter sua cultura, suas origens,
porém, têm de lutar contra o preconceito ainda existente na sociedade. Meu
pensamento foi mais longe, lembrei-me das aulas de história do Colégio Estadual
Deputado Olívio Belich, onde estudamos o período escravocrata, em que o Brasil
foi um dos contribuintes para que acontecesse. Vale lembrar que o Brasil foi um
dos últimos a abolir a escravidão, só o fez quando não dava mais para enganar
os que lutavam pela abolição com leis estúpidas, apresentadas como se fossem
abolicionistas, mas que na verdade não mudavam em nada a vida dos negros no
país.
A Lei do ventre livre, que
considerava todos os filhos de escravos nascidos depois de sua data livre, onde
as crianças tinham duas opções, ou ficavam com os “donos” de seus pais até
completarem 21 anos, ou eram entregues ao governo. É claro que a primeira
alternativa prevalecia porque beneficiava os senhores, que mantinham os
“livres” em regime de escravidão, junto com seus pais até completarem 21 anos.
A Lei dos Sexagenários,
por sua vez, tornava livres os negros que completavam 60 anos, beneficiando
mais uma vez os senhores, que eram indenizados por isso e pelo fato de que os
que chegavam a essa idade - eram poucos os que conseguiam – não poderiam desfrutar
da sua liberdade, pois já se encontravam velhos e sem condições de competir com
os imigrantes europeus que àquela altura já chegavam ao país para trabalharem
remunerados e acabavam ficando nas fazendas sob regime de escravidão.
Finalmente a Lei Aurea é
assinada em 1888 Princesa Isabel (depois de muita pressão por parte de outras
nações como a Inglaterra, por exemplo – toda poderosa da época – e só por causa
dessa pressão é que foi assinada) e liberta todos os escravos, extinguindo a
escravidão no Brasil.
Pra você que acha que o
Haiti é um país atrasado, que Brasil é avançado e que a questão racial no país
está superada é bom saber que o Brasil só libertou seus escravos quase cem anos
depois que o Haiti, que a fizera em 1804.
Falei do Brasil porque é o
meu país, o país que eu amo e onde eu quero ver todas as desigualdades e
intolerâncias reduzidas à zero.
Vamos voltar à África do
Sul que viveu, já no século XX, um regime de segregação racial, o Apartheid (separação, em africâner), onde resumidamente os brancos tinham direito a tudo
e os negros não tinham direito a nada. Eram separados nos bairros, nos ônibus,
nos hospitais, na praia, no esporte (a seleção de futebol foi suspensa pela
FIFA por permitir apenas brancos no time), na escola e nas melhores universidades
não havia segregação porque eram inteiramente destinadas aos brancos. A ONU
condenou o regime e passou a pressionar o governo com sanções.
Depois de muita luta
Nelson Mandela, um negro que conseguiu estudar direito e no movimento
estudantil desafiar o Apartheid, sendo condenado à prisão perpétua ficando
preso durante 28 anos, sai da cadeia, ajuda a por fim no regime e se torna
presidente do país.
Depois de viver um momento
triste, e depois de tanta lutar conseguir resgatar o direito dos negros, a África
do Sul ainda é habilitada por “animais” (não aqueles que vivem nas savanas) que
se dizem racionais, como aquele cidadão que aparece na matéria do CQC, que diz
que não pode trabalhar na construção porque a pele dele é branca e que os
negros é que devem fazer o serviço. Infelizmente o Apartheid ainda existe, pelo
menos no pensamento de muitos brancos sul-africanos e do restante do planeta.
Abaixo, um vídeo para
contrapor essa percepção, que no Brasil, apesar de ter evoluído muito, ainda
precisa melhorar. Música de Sandra de Sá (Olhos coloridos - sarará crioulo)
"Ninguém nasce
odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua
religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a
odiar, podem ser ensinadas a amar."
(Nelson Mandela)
pois é.. o cara é um velho babaca que ouviu desde pequeno que pedreiro é tudo preto... se ele viesse pro brasil, e morasse aqui ele ia sentir na pele o quão errado ele está.
ResponderExcluirbando de almofadinha q nunca teve q tirar a bunda do assento.
Eu vi a matéria do CQC.
ResponderExcluirDe fato, para nós, causa espanto. Mas eles saíram de uma política oficial de segregação há pouco tempo, ainda estão se adaptando ... eu acho e espero!