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domingo, 13 de dezembro de 2009

O APARTHEID AINDA EXISTE

O APARTHEID AINDA EXISTE


Todas as segundas-feiras assisto ao programa CQC da Bandeirantes. Excepcionalmente esta semana o programa foi exibido também na quarta-feira, com um especial África do Sul, onde foi realizado o sorteio dos grupos das seleções que se enfrentarão na Copa do Mundo de Futebol, que será realizada neste mesmo país, em 2010.

Estava acostumado com o programa na segunda-feira e então "passou batido" o programa exibido na quarta-feira. Fui procurar os vídeos das matérias na internet onde, claro, os encontrei. Assisti o Top Five, o Danilo em Brasília, e enquanto assistia a uma matéria em que Felipe Andreoli entrevistava pessoas envolvidas na construção do estádio onde será a final da Copa e Rafael Cortez entrevistava pessoas que transitavam com seus carros nas ruas congestionadas, devido às obras de infraestrutura nos arredores do estádio, me deparo com uma cena nojenta: Rafael Cortez aborda um “cidadão” (se é que dá para chamar um idiota desses de cidadão) e diz o seguinte:

-- Vamos trabalhar juntos, precisamos de você. Estou recrutando bons trabalhadores como você.
O “cidadão” responde:
-- Recrutando bons trabalhadores?
Rafael Cortez explica novamente:
-- Nós temos muitos estádios aqui para construirmos juntos.
Então, num gesto de total preconceito e relembrando o tempo de segregação racial vivido na África do Sul, o “cidadão” diz:
-- Mas a cor da minha pele é a errada.


Vendo esta matéria lembrei-me da recente série Nova África da TV Brasil onde mostra um continente lutando para se desenvolver e ao mesmo tempo manter sua cultura, suas origens, porém, têm de lutar contra o preconceito ainda existente na sociedade. Meu pensamento foi mais longe, lembrei-me das aulas de história do Colégio Estadual Deputado Olívio Belich, onde estudamos o período escravocrata, em que o Brasil foi um dos contribuintes para que acontecesse. Vale lembrar que o Brasil foi um dos últimos a abolir a escravidão, só o fez quando não dava mais para enganar os que lutavam pela abolição com leis estúpidas, apresentadas como se fossem abolicionistas, mas que na verdade não mudavam em nada a vida dos negros no país.

A Lei do ventre livre, que considerava todos os filhos de escravos nascidos depois de sua data livre, onde as crianças tinham duas opções, ou ficavam com os “donos” de seus pais até completarem 21 anos, ou eram entregues ao governo. É claro que a primeira alternativa prevalecia porque beneficiava os senhores, que mantinham os “livres” em regime de escravidão, junto com seus pais até completarem 21 anos.

A Lei dos Sexagenários, por sua vez, tornava livres os negros que completavam 60 anos, beneficiando mais uma vez os senhores, que eram indenizados por isso e pelo fato de que os que chegavam a essa idade - eram poucos os que conseguiam – não poderiam desfrutar da sua liberdade, pois já se encontravam velhos e sem condições de competir com os imigrantes europeus que àquela altura já chegavam ao país para trabalharem remunerados e acabavam ficando nas fazendas sob regime de escravidão.

Finalmente a Lei Aurea é assinada em 1888 Princesa Isabel (depois de muita pressão por parte de outras nações como a Inglaterra, por exemplo – toda poderosa da época – e só por causa dessa pressão é que foi assinada) e liberta todos os escravos, extinguindo a escravidão no Brasil. 

Pra você que acha que o Haiti é um país atrasado, que Brasil é avançado e que a questão racial no país está superada é bom saber que o Brasil só libertou seus escravos quase cem anos depois que o Haiti, que a fizera em 1804.

Falei do Brasil porque é o meu país, o país que eu amo e onde eu quero ver todas as desigualdades e intolerâncias reduzidas à zero.

Vamos voltar à África do Sul que viveu, já no século XX, um regime de segregação racial, o Apartheid  (separação, em africâner), onde resumidamente os brancos tinham direito a tudo e os negros não tinham direito a nada. Eram separados nos bairros, nos ônibus, nos hospitais, na praia, no esporte (a seleção de futebol foi suspensa pela FIFA por permitir apenas brancos no time), na escola e nas melhores universidades não havia segregação porque eram inteiramente destinadas aos brancos. A ONU condenou o regime e passou a pressionar o governo com sanções.

Depois de muita luta Nelson Mandela, um negro que conseguiu estudar direito e no movimento estudantil desafiar o Apartheid, sendo condenado à prisão perpétua ficando preso durante 28 anos, sai da cadeia, ajuda a por fim no regime e se torna presidente do país.
Depois de viver um momento triste, e depois de tanta lutar conseguir resgatar o direito dos negros, a África do Sul ainda é habilitada por “animais” (não aqueles que vivem nas savanas) que se dizem racionais, como aquele cidadão que aparece na matéria do CQC, que diz que não pode trabalhar na construção porque a pele dele é branca e que os negros é que devem fazer o serviço. Infelizmente o Apartheid ainda existe, pelo menos no pensamento de muitos brancos sul-africanos e do restante do planeta.

Abaixo, um vídeo para contrapor essa percepção, que no Brasil, apesar de ter evoluído muito, ainda precisa melhorar. Música de Sandra de Sá (Olhos coloridos - sarará crioulo)


"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar."                                                                                           
(Nelson Mandela)

2 comentários:

  1. pois é.. o cara é um velho babaca que ouviu desde pequeno que pedreiro é tudo preto... se ele viesse pro brasil, e morasse aqui ele ia sentir na pele o quão errado ele está.
    bando de almofadinha q nunca teve q tirar a bunda do assento.

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  2. Eu vi a matéria do CQC.

    De fato, para nós, causa espanto. Mas eles saíram de uma política oficial de segregação há pouco tempo, ainda estão se adaptando ... eu acho e espero!

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